Desculpa o transtorno, mas preciso falar da Marimar

Marimar é o nome do meu primeiro amor. Aquela “paixão a primeira vista”, sabe? Ela foi literalmente um presente. Não de Deus, mas da minha avó. Para quem não sabe, a vovó Laurinha é a pessoa que mais me incentiva. Sou levemente mimada. Talvez não tão leve assim, mas o importante é que não existiria história de amor se vovó não sonhasse como uma neta cantora de música sertaneja.

O ano era 2005. Eu tinha quase doze anos e ela, talvez, alguns meses. Sim, ela. No feminino mesmo. Entre centenas de opções, eu a escolhi. Se fechar os olhos ainda consigo lembrar o exato momento em que a segurei pela primeira vez. Marimar tem curvas suaves, braço largo, tom claro, um som espetacular e o peso ideal para quem não tinha noção do que estava fazendo. Marimar é quieta e não fala com estranhos. Para tirar alguma coisa dela, você tem que no mínimo conhecer seu alfabeto. Como não sabia absolutamente nada, confesso que foi um tanto quanto difícil no começo. Pensei seriamente em desistir porque muitos falavam que eu jamais conseguiria. Mas, aos poucos, fomos vencendo barreiras. Primeiramente nos encontrávamos todas às terças e quintas feiras, durante uma hora, em uma sala encantadora e super iluminada. Nunca sozinhas porque não nos conhecíamos muito bem e, para falar a verdade, ela parecia me odiar. Claro que isso não durou nem três meses porque sou ciumenta e não queria ninguém entre nós duas. Foi nesse momento em decidi lutar por ela sozinha. Nadei de cabeça no sentido contrário do era considerado “certo”. Eis a maior prova do meu amor incondicional.

Bom, como escutava maravilhas sobre ela, eu ansiava ouvi-la mais do que qualquer coisa na vida. Minha agonia para poder tocá-la ultrapassava qualquer nível de ansiedade. Então, passei de simples encontros semanais para diários. Sem desculpas para a hora ou cansaço. Investi pesado em revistas, CDs, apostilas, vídeos no Youtube ou qualquer outra coisa que facilitasse a nossa comunicação. Tivemos avanços  significativos e fazíamos questão de comemorar cada um deles. Do mais simples aos mais avançados. E isso faz com que não me arrependa das escolhas que fiz. Eu poderia ter escolhido o caminho mais fácil, mas quando recordo da nossa primeira canção, “Menino da Porteira”, vejo que todo sacrifício valeu a pena (sim! Sergio Reis é a trilha sonora do nosso romance). Porque mesmo sem conhecê-la cem por cento, eu posso afirmar que a minha melhor amiga e confidente dorme todos os dias ao meu lado. Foram inúmeras lágrimas, sorrisos e angustias ao longo desses onze anos e ela SEMPRE esteve ao meu lado. Nunca me deixou na mão. Nunca disse não. Se ela soubesse como sua presença me completa…

Estou aqui para abrir o meu coração e dizer que até sei viver sem ela, mas não quero. Há quinze dias não a vejo.  Estou distante 260 quilômetros e não consigo pensar em outra coisa. Percebi que minha vida sem ela é muito vazia, pois construímos algo que vai muito além do palpável e do visível. Construímos um sentimento capaz de acalmar, arrepiar e emocionar ao mesmo tempo. Marimar trouxe a paz que tanto me faltava. É no som de Marimar que encontro o meu equilíbrio. É nos braços de Marimar que encontro meu refúgio! 

Eu estou aqui, do outro lado do mapa, escrevendo milhões de coisas para quando nos reencontramos. Até comprei um anel de compromisso novo (na verdade, um capotraste) porque o que usávamos foi roubado da Jéssica.  Era o que dava na época… 

[nota importante] Meus instrumentos são parte da minha vida. Nada mais justo do que dar nomes de pessoas a eles, ué. Isso é tão óbvio. Marimar é meu violão, o primeiro. Tenho Rosalinda e Carmen como fruto desse amor. Rosalinda é um violão elétrico, preto com cordas de aço. Carmen é a mais nova. Nossa bebê. Um ukulele no tom natural da madeira. Um amor de criança. Vocês precisam conhecer.  

MARIANA ASS PNG

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